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sábado, 5 de dezembro de 2009

Costurando


Lembram que eu falei aqui que dentro de mim mora também uma senhorinha que adora tricotar assistindo uma novela, que acha que uma das coisas mais aconchegantes do mundo é o cheiro de um bolo assando no forno e que adora receber as comadres para um chá da tarde? Pois é o meu lado senhorinha fica mais aflorado no inverno, quando as temperaturas gélidas não permitem um piquenique no parque, eu sinto vontade de fazer fazer tricot, assar todo o tipo de quitutes gostosos e ultimamente a minha senhorinha estava com uma vontade tão grande de aprender a costurar. Saí pedindo para todos os amigos prendados na arte para me ensinar(surpreendentemente trabalho com 4 pessoas que dominam a arte do corte e costura), essa semana conseguimos marcar um dia, o preço da minha aula? Cookies de banana.

Minha senhorinha ficou tão feliz quando saiu da casa da amiga com uma fronha feita todinha por ela, exclusiva, com o chitão que ela trouxe do Brasil.

Para não deixar as blueberries que eu tinha na geladeira, assei uma fornada de muffins para levar e vou aproveitar a deixa para traduzir a receita que publiquei aqui em francês para o português, a pedidos da Carla, então Carlota aí vaí, depois você me conta se os seus ficaram bons.

Cookies de banana com nozes e chocolate


1 xíc. de farinha de trigo
1/2 xíc. de farinha de trigo integral
1/2 c. de chá de bicarbonato de sódio
150g de manteiga em temperatura ambiente
1/2 xíc. de açúcar
1/2 xíc. de açúcar mascavo
1 ovo
1 1/2 c. de chá de extrato de baunilha
1 xíc. de aveia em flocos
1/2 xíc. de banana massada
250g de chocolate meio amargo picado
1/2 xíc. de nozes picadas

1. Preaqueça o forno à 180ºC. Misture numa tigela as farinhas, o sal e o bicarbonato de sódio.
2. Em outra tigela coloque a manteiga e os açúcares, bata na batedeira até que fique claro e macio. Reduça a velocidade e adicione o ovo e a essência de baunilha. Adicione a banana. Delicadamente adicione as farinhas, depois que incorporá-las à massa, acrescente a aveia, o chocolate e as nozes.
3. Faça bolinhas do tamanho de uma noz e coloque em assadeiras untadas ou com papel manteiga. Asse até que os cookies fiquem dourados. Deixe esfriar completamente.


Muffins multi-sabores

2 1/2 xíc. de farinha de trigo
3/4 e xíc. de açúcar
2 c. de chá de fermento em pó
1 c. de chá de bicarbonato de sódio
uma pitada de sal
100g de manteiga em temperatura ambiente
2 ovos
1 xíc. de iogurte
1 c. de chá de essência de baunilha

- 1 1/2 xíc. de frutas secas; chocolate; nozes; frutas vermelhas

1. Preaqueça o forno a 180ºC.
2. Numa tigela misture a farinha, o fermento, o bicarbonato e o sal. Misture a manteiga com as mãos até obter uma farofa.
3. Em outra tigela misture o iogurte, os ovos e a essência de baunilha, adicione na tigela com a farofa de manteiga e farinha. Coloque o recheio escolhido.
4. Coloque a massa na forma para muffins, asse por 20 minutos até que fiquem dourados




sábado, 23 de maio de 2009

Arrumadinhos

Outro dia xeretando no site da Tpm achei o link para o blog Vende na Farmácia. A idéia é dar dicas de produtos de beleza acessíveis ao bolso. Hoje estava lendo as postagens mais recentes e me diverti muitíssimo com a postagem escrita por um amigo de uma das donas do blog para a seção "Macho sem frescura".

"Cara Renata: como homem preciso te avisar que pedir pra ele usar uma “máscara” na hora do futebol é maldade pura; é como pedir pra você limpar a geladeira ao invés de ir ao shopping.

Hora do futebol é sagrada! É hora de gritar, suar, tomar umas cervas com os amigos e não ficar com o rosto melecado na frente da TV enquanto vê Flamengo e Botafogo. Pegue leve com o rapaz.

A solução está em oferecer produtos fáceis de usar ( dë um kit pra ele, duvido que não use), mas que possam ser usados não na hora do futebol, mas durante o banho! Aí não tem desculpas, sem frescura, rápido e eficiente, problema resolvido.

Segue a minhas dicas de produtos que são Vendidos na Farmácia para evitar cravos no seu amado, ok?

PS: Não se esqueça: ficar espremendo cravos do namorado além de bem nojento, pode deixar marcas e inflamar, por isso, deixe essa tarefa pra esteticista, ok?

Sabonete Efaclar – La Roche Possay ( uso diário, pela manha e a noite), Esfoliante Clean & Clear (esfoliação 1 vez por semana tá de bom tamanho)"


Até a próxima."

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Para Meninas 2

No post daqui de baixo eu falei sobre a venda anual da La Senza, pois bem, vim aqui atualizar o mesmo porque não quero que ninguém fique bravo comigo porque foi em roubada por causa do blog. Fui na liquidação ontem e que decepção.....tirando a fila de uma hora e meia para entrar, o que já era esperado, não tinha nada de muito interessante à venda, muitos dos produtos já tinham acabado ou sobrado só o tamanho XS, e no meio dos produtos restante era preciso procurar muito, mas muito mesmo para achar algo bom. Voltei para casa com 2 sutiãs e só. Vale mais a pena esperar as liquidações na própria loja da La Senza.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Para Meninas

Quarta-feira começa o saldão da La Senza. Tudo a menos de 5 dólares...para fazer um estrago no cartão de crédito!!

La Senza Warehouse Sale
Old Winners Building next to Rona
3610 Blvd. Cotê Vertu
Saint-Laurent-QC
Metro Sauvé - Bus 121
De 21/05 a 14/06

Wednesday: 10 AM to 6 PM
Thursday: 10 AM to 9 PM
Friday: 10 AM to 9 PM
Saturday: 10 AM to 5 PM
Sunday: 10 AM to 5 PM
Monday - Closed
Tuesday – Closed

domingo, 10 de maio de 2009

Feliz Dias das Mães

Mãe: Origem, causa, fonte. Ser fantástico, espécie de sereia de água doce, também chamado uiara e iara. Ascendente feminino em primeiro grau. Mulher generosa, que dispensa cuidados maternais. Alma mãe, alma máter: a natureza como princípio criador.

Um Feliz Dias das Mães para todas as mulheres incríveis que contrariando toda a lógica racional decidem embarcar na louca e desconhecida aventura(que vem sem manual) de criar um filho. 

Paradoxos

Relógio Atrasado
Falta conseguir um aumento, terminar a pós-graduação e achar o parceiro ideal, mas o corpo tem pressa. Pouco importa se um mundo de oportunidades se apresenta diante da mulher moderna. Por dentro, ela continua igual há décadas: a natureza ainda espera por uma gravidez aos vinte e poucos anos. A biologia não contava com anos extras de estudo e com trajetórias profissionais que atrasariam em quase dez anos o relógio biológico da brasileira. 

“Ela tem 38 anos, fez MBA, é diretora de uma multinacional, morou um tempo fora do País e não teve tempo de achar um parceiro, mas tem o desejo de ser mãe. Esse é o perfil das mulheres que buscam o congelamento de óvulos. O desejo de ser mãe pode até tardar, mas não falha”, acredita o médico Eduardo Motta, diretor do Centro de Medicina Reprodutiva Huntington e doutor em ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Congelar os óvulos é a melhor opção para quem deseja ser mãe e chegou aos 35 sem perspectivas de realizar o sonho. Não por acaso, a cantora Ana Carolina - que completa essa idade em setembro - anunciou na semana passada que vai passar pela técnica. Segundo Motta, a idade avançada ameaça o sucesso de qualquer tratamento de fertilização . “A chance de engravidar pelo método in vitro é de 50% antes dos 35 anos e cai para 20% por tratamento após os 40”, diz.

Motta lembra que a opção pelo congelamento de óvulos tem sido cada vez mais comum. “Há dois anos a técnica ainda era cheia de problemas, hoje temos mais sucesso. Tenho atendido pelo menos um caso por mês. O problema é que quanto mais velha a mulher, pior fica a qualidade dos óvulos. Aos 40 anos, por exemplo, a biópsia vai acusar mais de 70% de embriões anormais.”

O médico garante que o envelhecimento das mamães é uma tendência. “A clínica é de 1995, época em que o público-alvo tinha entre 30 e 35 anos. Atualmente, 70% das pacientes têm mais de 35 anos e observo uma demanda crescente acima dos 40 anos. Nessa idade, contudo, a taxa de abortos dobra, o que também diminui a chance de sucesso.”

Diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e do Setor de Infertilidade Conjugal do Hospital Pérola Byington, Artur Dzik diz que engravidar tardiamente pode trazer consequências negativas para a saúde da mãe e do bebê. “A prevenção do câncer de mama e de ovário associada à maternidade é mais frequente nas mães que têm entre 20 e 30 anos”, exemplifica. “Além disso, o risco de ter diabete, hipertensão e problemas placentários é um pouco maior na mulher que engravida tardiamente.”

A incidência de doenças graves no feto também aumenta conforme a idade da grávida avança. Se a chance de um bebê apresentar síndrome de Down é de um caso para mil nascimentos quando a mãe tem 30 anos, esse índice sobe para uma em cada 100 crianças entre as gestantes de 40 anos. “Ainda assim, esse risco é baixo. O principal problema é que muitas vezes não é mais possível engravidar. Ana Paula Padrão, por exemplo, tentou de tudo e não conseguiu. E Ivete Sangalo enfrentou dificuldades para realizar esse sonho”, lembra. A cantora baiana, de 37 anos, está grávida mas perdeu um bebê no ano passado. 

Na opinião de Dzik, as mulheres têm a falsa ilusão de que a medicina reprodutiva pode recuperar o tempo perdido. “A gente pode fazer muita coisa, mas o obstáculo maior ainda é a idade da mulher. Quem posterga a gravidez pode ter escolhido não ter filhos. A mulher que malha todos os dias, cuida da pele e parece mais jovem acha que pode tudo. É difícil para ela entender que a aparência jovial não se reflete na idade ovariana. Atrasar a maternidade é uma tônica da mulher moderna, mas a natureza é implacável.”

Para Dzik, as mulheres estão em desvantagem perante o sexo masculino no campo reprodutivo. “Elas já nascem com os óvulos que carregarão pela vida toda, eles passarão por tudo de bom e de ruim que elas enfrentarão na vida. Os homens, ao contrário, renovam o sêmen a cada três meses. Ou seja: para elas o tempo é mais significativo. E, mesmo assim, o bebê fica cada vez mais para depois”, explica. 

Maria Mariana

A escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com “Confissões de mãe”

Por Martha Mendonça

Aos 19 anos, a carioca Maria Mariana tornou-se um ícone da década de 90. Seu livro Confissões de adolescente, lançado em 1992, vendeu 200 mil cópias, virou peça de teatro e tornou-se um memorável seriado de televisão. Aos 36 anos, distante da fama e mãe de quatro filhos, a escritora, atriz e filha do cineasta Domingos de Oliveira lança Confissões de mãe (Editora Agir), um livro nada rebelde, recheado de ideias que vão irritar as feministas. Nesta entrevista, realizada em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, onde mora hoje, ela defende as mães que deixam de trabalhar para cuidar de seus filhos. “Amamento há nove anos seguidos”, afirma. Com a mesma expressão serena que as pessoas se acostumaram a ver na série de televisão, a escritora diz ser contra o aborto e afirma que as mulheres deprimidas depois do parto são as que passaram a gravidez comprando roupinhas para o bebê.

QUEM É 
Maria Mariana Plonczynski de Oliveira, 36 anos, escritora, autora, diretora e atriz. Filha do cineasta Domingos de Oliveira. Mãe de quatro filhos, casada, mora em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro 
O QUE FEZ
Ficou famosa ao escrever Confissões de adolescente, que virou peça de teatro e seriado da TV Cultura na década de 90
O QUE PUBLICOU
Confissões de adolescente (Ed. Relume Dumará), Confissões de mãe (Ed. Agir)

ÉPOCA – O que a adolescente dos anos 90 e a mãe de quatro filhos têm em comum? 
Maria Mariana – 
Mudei muito, mas algumas coisas ficaram. Acredito que uma delas seja a criatividade no dia a dia. Eu sei fazer de um limão uma limonada. Tenho sempre um coelho na cartola, um assunto engraçado numa hora chata, uma forma de tornar aconchegante um ambiente ou uma situação difícil. Isso vem também do fato de eu adorar ser mãe. Mas a maternidade está em baixa.

ÉPOCA – Por que você diz isso? 
Maria – 
O valor de ser mãe não está sendo levado em conta. Sinto isso há quase dez anos, desde que eu decidi parar todas as minhas atividades para ter filhos e cuidar deles. A pressão foi inimaginável e veio de todos os lados. Da família, dos amigos, de quem mal me conhecia. Muita gente me perguntou se eu estava deprimida ou tinha síndrome de pânico. Meu pai também custou a entender. Eu era bem-sucedida, e largar a fama é um absurdo para as pessoas. Se alguém saiu da mídia por vontade própria, é porque tem algum problema grave. A verdade é que eu só descobri o que é trabalhar depois de ser mãe! Ser mãe é um trabalho social, o maior deles. É um esforço para garantir a criação de indivíduos de valor, mentalmente sadios, que contribuam para o bem geral. Pessoas equilibradas, educadas, que consigam se manter. Quando pequeno, o filho precisa de atenção especial e exclusiva. É nesse período que se formam a base do que ele será, o caráter, os valores. Depois, é difícil consertar.

ÉPOCA – Como foi sair de uma vida badalada no Rio para uma cidade pequena? 
Maria – 
Eu trabalhava como roteirista, sempre amparada pela sombra do sucesso de Confissões de adolescente, mas alguma coisa não estava fechando. Tive um primeiro casamento, dos 20 aos 23 anos, que não deu certo. Depois fui morar sozinha e tinha a impressão de que a vida se movia em círculos. Ao mesmo tempo, sempre tive a obsessão de ter filhos. Quando meus pais se separaram, eu estava com 7 anos e passei a viver com meu pai. Era filha única, muito madura, lia Dostoiévski e estava sempre cercada por amigos intelectuais dele. Mas eu sonhava com uma enorme mesa de família com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau, mudar de história. No meio disso tudo, conheci o André, meu marido. Um mês depois, estava grávida. Todos os meus filhos foram planejados. A primeira, Clara, foi de cesariana, o que foi uma decepção para mim. Os outros foram de parto normal.

ÉPOCA – No livro, você diz que mulheres que não conseguem o parto normal estão “envolvidas com pequenas questões de ego”. Explique. 
Maria – 
Respeito a história da maternidade de cada mulher. Mas, depois que tive o parto normal, vi que é uma vivência fundamental. Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor. Todos falam do nascimento do bebê, mas esquecem que a mãe também nasce naquela hora. A mulher também tem de estar focada na amamentação.

ÉPOCA – A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar? 
Maria – 
Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

ÉPOCA – Você não teme ser repreendida pelas feministas? 
Maria – 
Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

ÉPOCA – Mas você não valoriza a emancipação da mulher? 
Maria – 
Valorizo. Teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras. Precisamos unir a geração de nossas avós com a de nossas mães para chegar a um equilíbrio feminino. Eu não sou dona da verdade. Não à toa, fiz meu livro como um diálogo entre mim e minha filha. Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza – sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro.

ÉPOCA – O que pensa sobre o casamento? 
Maria – 
Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto. Casamento é embate, negociação e paciência. É preciso insistir e vencer. Saber que não se muda o outro. É preciso mudar a nós mesmos.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Os Homens são mais emotivos

Por Felipe Machado do Palavra de Homem

Depois de (tentar) acabar com o ditado 'a primeira impressão é a que fica', chegou a hora de detonar outro mito: o que diz que as mulheres são mais emotivas do que os homens.

Talvez essa ideia tenha surgido a partir daquele pensamento retrógrado que classificava a mulher como 'o sexo frágil', o que, cá entre nós, é uma bela besteira. A mulher é mais frágil se levarmos em conta apenas o ponto de vista muscular. Mas sua força não tem comparação se levarmos em conta qualquer outro aspecto da questão, do lado psicológico à capacidade de resistir à dor. Antes de espalhar essas besteiras por aí, marmanjos que não suportam tomar injeção deveriam experimentar dar à luz uma criança. Tenho a leve impressão de que é bem pior.

Acho que somos mais emotivos do que as mulheres por várias razões, mas essencialmente porque somos mais primitivos. Ao contrário do que pregam os machistas, mulheres são seres bem mais evoluídos e racionais do que nós, homens. Não sei como tem gente que discorda.

Quer um exemplo? Preste atenção ao mais popular coletivo de homens reunidos para um determinado objetivo: sim, estou falando de uma partida de futebol. Os homens se abraçam, gritam, choram, agitam bandeiras, beijam camisas, dão a vida por símbolos completamente abstratos. Olho para isso e vejo apenas grandes primatas lutando pela hegemonia de sua tribo a plenos pulmões. E quando saem do estádio, os homens fazem o quê? Saem para beber e se encontrar com outros de sua espécie. Depois de algumas cervejas, não se espante ao ver dois homens de Neanderthal se abraçando e trocando elogios: 'caaara, você é meu melhooor amiiiiiiigo'.

Enquanto isso, as sofisticadas fêmeas preferem se reunir para fazer coisas bem mais civilizadas. Fazer compras. Jantar com as amigas. Ir ao cabeleireiro. Percebeu? São atividades extremamente racionais (apesar de algumas malucas gastarem o cartão de crédito como se não houvesse amanhã). A mulher gosta de conversar, racionalizar, transformar suas emoções e pensamentos em palavras. Deve ser por isso que elas gostam tanto de discutir o relacionamento.

Você pode achar minha opinião radical; sei que é errado generalizar. Existem caras que choram até em comercial de TV (eu) e mulheres que não estão nem aí para a própria família. Mas como diz a canção A Man and a Woman, do U2, o importante é viver com emoção:

"O amor não deveria deixar você entorpecido; a maior dor é não sentir absolutamente nada".

Genial.

Desculpe, mas acho que vou ficando por aqui. Escrever este tipo de texto me deixa muito emocionado.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Homem que é Homem

Por Felipe Machado do Palavra de Homem

"Tentei ser equilibrado e coerente durante os dois anos que este blog existe – isso não quer dizer, claro, que eu tenha conseguido. Mas hoje, não me perguntem por que, decidi fazer um desabafo. Pelo menos uma vez, vou falar tudo que passa pela minha cabeça e que o bom senso me impedia de dizer em voz alta.

Você, macho como eu, sabe como anda difícil ser homem hoje em dia. As mulheres querem que a gente seja sensível, moderno e aceite a igualdade profissional entre os sexos, mas na hora H continuamos a pagar a conta do restaurante. Eu achava que igualdade significava 'completa semelhança', mas acho que isso só vale para algumas coisas. Elas exigem o controle remoto, mas não querem ajudar na hora de comprar a TV.

Eu também me preocupo com a manutenção dos direitos masculinos. Homem que é homem, por exemplo, deveria considerar sagrado o direito de sair uma vez por semana com os amigos para tomar uma cervejinha e conversar sobre futebol. Sim, porque enquanto as mulheres fofocam, nós discutimos temas supercomplexos, como a influência da metafísica na escalação do Corinthians ou se a lei da gravidade é constitucional quando aplicada ao corpo da última capa da Playboy.

O homem e a mulher do século 21 ainda estão nascendo, mas algumas coisas estão indo em uma direção que não concordo. Respeito as conquistas femininas, mas conheço mulheres que acabaram deixando a família um pouco de lado para se dedicar à carreira. Na minha humilde opinião, esse comportamento é equivocado e cobra um preço alto demais. Talvez elas compreendam isso mais tarde. Ou tarde demais.

Por mais que a sociedade aceite a igualdade entre nós – e deve aceitar mesmo –, temos sorte porque pelo menos alguns conceitos ainda estão do nosso lado. Temos o privilégio de poder cultivar uma barriguinha (pequena, por favor). Segundo as próprias mulheres, os homens ficam charmosos com a idade. Agora saia por aí perguntando para alguma garota o que ela acha das mulheres mais velhas. O sexo feminino é tão implacável com ele mesmo que eu nem preciso ser.

Em relação a modernidades, homem que é homem não odeia metrossexual, ao contrário do que imaginam algumas mulheres. Em primeiro lugar, porque nem sabe o que é. Em segundo, porque esses carinhas delicadinhos que ficam passando creminho no corpo têm outro nome lá na nossa terra. Homem que é homem não passa creme no rosto, muito menos no corpo. Homem que é homem não tem rugas. Homem que é homem tem história."

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher

"Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que, se se fechar os olhos, ao abrí-los ela não mais estará presente com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha, parta, não vá e que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber o fel da dúvida.

Oh, sobretudo, que ela não perca nunca, não importa em que mundo, não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade de pássaro e que acariciada no fundo de si mesma transforme-se em fera sem perder sua graça de ave e que exale sempre o impossível perfume e destile sempre o embriagante mel e cante sempre o inaudível canto da sua combustão e não deixe de ser nunca a eterna dançarina do efêmero e em sua incalculável imperfeição constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável."

Receita de Mulher - Vinícius de Mulher



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Para Francisco

Já escrevi aqui no Lunettes Rouges sobre o blog da publicitária mineira de Belo Horizonte Cris Guerra, o blog Para Francisco que ela escreve para o filho, é um relato delicado e emociante sobre seu pai, que faleceu subitamente 2 meses antes dele nascer.
Os textos do blog acabam de virar livro e eu já o coloquei na minha listinha de livros a ler(esse com a caixa de lenço de papel do lado).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Ilhas Desconhecidas

Por Contardo Calligaris

O amor e a viagem nos fazem descobrir que há algo, em nós, que não conhecíamos até então
QUANDO ERA criança, um senhor canadense, Mr. Evans, foi contratado por meus pais para "treinar" meu inglês. O método de Mr. Evans consistia em narrar grandes eventos da História (com H maiúsculo) como se ele tivesse sido uma testemunha ocular. Conseqüência: há detalhes íntimos de várias cenas famosas que não sei mais se são fatos ou fantasias de Mr. Evans.

Uma fonte de inspiração de Mr. Evans era a expedição de Lewis e Clark, que, entre 1804 e 1806, abriu o caminho do Oeste americano. Segundo Mr. Evans, em 7 de abril de 1805, deixando Fort Mandan para se aventurar no território desconhecido das grandes planícies, Lewis, pensativo, teria dito a George Gibson (o melhor atirador da expedição): "New land, George" (uma nova terra, George).

Nunca pude confirmar a veracidade da dita conversa. Mas essa frase, aparentemente trivial, foi incorporada no meu léxico familiar. A cada vez que, numa viagem de férias, saíamos do país, meu irmão e eu não parávamos de repetir: "New land, George". Ainda hoje, quando chego num lugar desconhecido, penso em Lewis e Gibson.

Mais tarde, meu irmão e eu passamos a usar a mesma expressão quando - numa festa, por exemplo - avistávamos mulheres que despertavam nosso interesse. Um dos dois, invariavelmente, levantava a mão espalmada, como se quisesse proteger os olhos do sol, e dizia: "New land, George".

Na literatura, não é raro que um corpo amado e desejado seja comparado à paisagem de terras incógnitas. John Donne, num de seus mais lindos poemas (do século 17), chamou sua amada de "minha América, minha terra recém-descoberta". De fato, há mesmo uma relação entre o amor e a verdadeira viagem. Vamos ver qual.
De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens.

Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, "O Conto da Ilha Desconhecida" (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: "Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver".

Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. Sem estragar o prazer dos leitores, só direi que, no fim da fábula de Saramago, talvez o protagonista não encontre sua ilha, mas ele encontra uma mulher. A moral da história é incerta, entre duas leituras opostas.

Primeira leitura: quem casa não viaja (a não ser de férias); casar-se é desistir de viajar. É o que pensam, com freqüência, homens e mulheres casados. E é também o que os leva, às vezes, a se separarem. Quando achamos que o outro nos impede de viajar, ou seja, que ele nos priva da aventura de descobrir o que poderia haver de diferente em nós, o casal se torna nosso inimigo. Claro, na maioria dos casos, acusamos o casal de uma inércia que é só nossa.

Exemplo: anos atrás, na França, um amigo se interessava pelas pessoas que desaparecem sem razão aparente e refazem sua vida alhures, sob outro nome, como se tivessem sido vítimas de uma amnésia repentina. Em todos os casos em que meu amigo conseguira entrevistar esses "desaparecidos", os mesmos constatavam que, depois de seu sumiço, em poucos anos, eles tinham reconstruído uma situação de vida parecida com aquela que tinha motivado sua fuga.
Segunda leitura: o protagonista descobre que a mulher ao seu lado é a própria ilha desconhecida que ele procurava e que a verdadeira viagem é o encontro com um outro amado. Faz todo sentido, pois o amor e a viagem, em princípio, têm isto em comum: ambos nos fazem descobrir em nós algo que não estava lá antes.

O outro amado nos transforma. Tanto quanto a chegada numa terra incógnita, ele nos revela algo inesperado em nós.

Por isso, aliás, o viajante e o amante podem esbarrar em problemas análogos: às vezes, ao sermos transformados pela viagem ou pelo amor, não gostamos do que encontramos, não gostamos dos efeitos em nós do amor ou da viagem. Essa é, em geral, a única razão séria para se separar ou para voltar da viagem.

Moral dessa coluna (e talvez da fábula de Saramago): os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar, é preciso ter determinação e coragem.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

The Supremes, Ikea e a Cômoda

Depois de um mês com as minhas roupas jogadas por todos nos cantos do meu quarto sem ter como guardá-las, decidi, assim de repente(quer dizer decidiram por mim) ir na Ikea comprar um cômoda. Eu toda prosa achando que seria fácil montar a dita cuja, mas claro com a minha santa ingenuidade quando abri as caixas me deparei com um manual que eu não entendi a diferença entre o passo 1 e 0 2 e o que vai aonde, muitas, mas muitas peças, pecinhas, peçonas, parafusos, pregos, etc etc. Pensei logo F*****, nunca vou conseguir montar isso sozinha. Pedi ajuda e coloquei a cômoda on hold. Segunda-feira acordei toda prosa, adorando o fato que não precisaria trabalhar na segunda-feira(por sinal é tudo ter folga de segunda-feira, compensa o fato de ter que trabalhar no final de semana), aí decidi que iria montar a cômoda sozinha(pensei que se um dia não existir homens no mundo eu tenho que ser capaz de montar uma cômoda sozinha), peguei as ferramentas, li o manual de trás para frente e de frente para trás algumas vezes e devagarinho minha cômoda apareceu montadinha na minha frente. Demorei a tarde interia, mas descobri que os manuais da Ikea são entendíveis no final das contas(segundo um amigo eles são feitos para mulher entender, achei um pouco machista mas com um fundinho de verdade).
A trilha sonora da minha tarde bricolage foi Diana Ross & The Supremes, minha nova obsessão


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Para mulheres

Se você é mulher com certeza alguma vez já ficou com muitas caramilholas na cabeça em relação ao sexo oposto. Eu nunca botei muita fé nos guias de revistas femininas tipo Cláudia, Nova, Elle acho que sempre são cor-de-rosa demais e o como são escritos por mulheres a opinião é totalmente parcial, porque sempre está sobre a ótica de uma mulher. Um dia desses estava eu de bobeira fuçando pela internet, caí no Blog, Manual do Cafageste(para mulheres), muito por acaso, e achei genial, muito bem humorado, um pouco ácido, mas verdadeiro, porque fala sério né ninguém merece ficar com minhoca na cabeça só porque o cara não ligou.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Amélia que era mulher de verdade


A promessa das máquinas


Filhos não são autocriantes, louças não são autolimpantes e roupas não são autoguardantes. Era tudo balela dos Jetsons e dos Robinsons

Eu tinha duas famílias prediletas, ambas do futuro: os Jetsons, de um desenho animado, e os Robinsons, do seriado Perdidos no Espaço. Achava-se que acabaríamos usando macacões prateados colados ao corpo e botinhas que finalizavam essa espécie de malha unissex. Era década de 60 e na televisão o porvir era representado igual ao presente, mudando só o figurino. Os homens ainda trabalhariam fora, enquanto as mulheres cuidariam do lar, mas haveria um atenuante: os robôs. Os Robinsons tinham um exemplar macho e os Jetsons tinham Rosie, uma eficiente empregada automática.

Todos conhecemos a imagem clássica da dona de casa da época: cabelo duro de laquê, vestido acinturado, seios espetados e um sorriso no rosto enquanto segura, sem esforço nenhum, seu aspirador de pó. Representante de um novo tipo de nobreza ao alcance da classe média, ela tem suas máquinas. Não lida mais com trapos e vassouras, a sujeira é aspirada. Ela não cozinha mais, aciona mixers, fritadeiras, grills. Suores e outros detritos são problema de sua máquina de lavar e os calos nos joelhos ficarão por conta da enceradeira.

O cotidiano doméstico lembra o trabalho do pobre Sísifo, empurrando a pedra montanha acima para em seguida vê-la despencar, retomando a tarefa infinitas vezes. Lava-se e arruma-se o que, na seqüência, será sujo e esparramado, cozinha-se o que será imediatamente devorado. O sorriso na cara das senhoras das propagandas e dos meus seriados favoritos, seu inalterável humor de Noviça Rebelde, ficava por conta de um engano, seriam liberadas do trabalho doméstico. Lamento dizer: a promessa de Rosie não se cumpriu.

Sorriso congelado, só de miss

Fornos não são verdadeiramente autolimpantes, louça e roupas não são autoguardantes, o ferro elétrico continua exigindo manobras humanas e, principalmente, filhos não são autocriantes. Nem o produto químico mais incrível vai ajudar a sorridente moça do comercial a abstrair que ela está limpando uma patente. A formação de uma família inclui um sem-número de atividades que têm que ser executadas pessoalmente, as quais sabemos que, se não as desempenharmos, pagaremos caro por isso, pelo menos com a culpa. A tarefa de convencer as mulheres dos encantos do lar incluiu um grande engano: vocês nunca mais se sujarão para limpar, nunca mais se cansarão. Balela, a fome e o caos não cansam de retornar.

Não me venham exigir esse sorriso congelado de miss, de atleta de nado sincronizado, enquanto corto cebola. Ser mulher continua dando um trabalho cotidiano sem glória nem memória, do qual saímos com a sensação de não ter feito mais que a obrigação. No dia seguinte, a sujeira, a bagunça e as incessantes necessidades dos filhos levarão tudo à estaca zero. Sísifo.

Por isso, aos ainda poucos e maravilhosos homens que começaram a dividir conosco esse campo de trabalhos forçados a que chamamos lar, as boas-vindas. A dois fica um pouco menos penoso. Pensando bem, isso é ainda melhor do que a Rosie.

Diana Corso, No Divã - [Revista TPM, Novembro 2008]

A nova moda entre solteiros de Rio e SP: contratar ''esposa de aluguel''

Cresce número de mulheres que ganham dinheiro cuidando de casas alheias; serviços vão de botão a bolo

O anúncio é direto. "Você é solteiro? Sua vida está uma bagunça? Você não precisa de uma esposa, precisa de mim." É assim que Cristiane Passos, carioca de 31 anos, oferece seus préstimos de dona de casa prendada, dessas que se esmeram em pregar botão e fazem bolos em fôrma furada. Ela descobriu uma forma de ganhar dinheiro ao preencher uma lacuna nos lares: a falta de tempo - ou paciência - para cuidados domésticos. Como ela, outras mulheres têm oferecido o serviço sob nomes variados - consultora do lar, governanta por um dia ou, como ela prefere, esposa de aluguel.

"O solteiro não tem quem cuide dele, quem veja que as cuecas estão furadinhas! Se deixar, dormem semanas com o mesmo lençol, em cima de farelos...", diz Cristiane, que se transforma em esposa de aluguel após as 17 horas, quando sai da empresa de manutenção de aeronaves onde trabalha. "Apresento as soluções mais baratas. Falo: Olha, suas toalhas estão horríveis? Aí, compro e apresento a nota." Com R$ 130, faz refeições para o mês todo.

Carlos, Leandro, Douglas - os "maridos" - não reclamam. "Eu diria que ela é uma mulher à moda antiga, mas o serviço é à moda moderna", diz o pesquisador Carlos Bevilacqua, de 40 anos, que mora só e contratou a esposa de aluguel há um ano. "Como todo homem, não tenho tempo nem paciência para cuidar da casa. Mas gosto de ver tudo arrumado." E também de ser surpreendido. "Lembro a primeira vez que abri a geladeira e vi um bolo lá dentro. Eu nem tinha pedido!" Ele prefere que Cristiane se encarregue pessoalmente da limpeza. Em outras casas, ela terceiriza essa parte e só fiscaliza.

E que ninguém confunda os papéis. É que alguns perguntam se estão incluídas "todas" as atribuições de esposa. Educadamente, ela diz que não. E nada de discutir relação."Sou esposa, mas sem os problemas de um relacionamento", avisa ela, que é separada. "Costumo dizer: quando a mulher faz tudo isso de bom grado, não tem valor. Se pagarem, valorizam." Tanta dedicação tem preço, de acordo com a exigência do "marido". "Mas não saio de casa por menos de R$ 50."

SAUDOSA

Nada escapa aos olhos de Emiliana Spínola, de 51 anos, quando entra na casa de alguém pela primeira vez. Museóloga por formação e viúva saudosa dos tempos em que vivia de avental pela casa de 14 cômodos, ela dedica-se ao serviço batizado por ela de "governanta por um dia". Em São Paulo, é procurada por famílias que se mudam para um apartamento menor e por quem não consegue cuidar da casa. Ao custo de R$ 35 a hora.

Antes de aceitar qualquer trabalho, ela entrevista todos da casa. "Preciso conhecer todos os hábitos dos moradores, até as preferências esportivas e religiosas", diz Emiliana, para em seguida desfiar miudezas que escapam à vida atribulada dos clientes: "Sabe o interruptor de luz? É muito comum as pessoas não limparem. E o puxador do armário da cozinha? Sempre sujo..."

Também em São Paulo, a "consultora do lar" Margarete Pereira, de 41, atende a telefonemas de maridos desesperados com a falta de noção doméstica das esposas, mais preocupadas com a carreira. E ela se apressa em dizer: "Tem um pouco de machismo. Mesmo que os homens não saibam cuidar da casa, eles esperam que nós saibamos. Pensam que a gente já nasceu com isso", diz Margarete, cuja hora - seja para organizar um armário ou levar um cachorro ao pet shop - vale R$ 60.

"Outro dia, um marido entrou em contato dizendo que não agüentava mais as reclamações da esposa sobre a empregada." E lá vai Margarete ensinar as funcionárias a usar os produtos. As esposas dificilmente se interessam em aprender. "Muitas não sabem nem um truquezinho. Aceitam que se gaste 12 tubos de detergente por mês!"

Segundo a professora da USP Eni de Mesquita Samara, doutora em História Social, o perfil da mulher em relação à casa começou a mudar entre o fim do século 18 e o início do 19. "As mulheres hoje se preocupam mais com a vida profissional. Já os homens continuam no papel tradicional, preocupados com a vida fora de casa. Criou-se uma lacuna." Eni diz que as pessoas continuam a se importar com a vida doméstica. "E agora, com a falta de alguém que se dedique a isso, o cuidado com a casa ganhou outro papel. Terceirizar é um caminho."

A própria Margarete é um exemplo de mulher mais preocupada com a vida profissional. Apesar de treinar domésticas, os cursos de copeira, etiqueta e governança a tornaram exigente a ponto de preferir não ter empregada. "Tenho de cuidar da casa dos outros e da minha sozinha." Ela não se vê como dona de casa dedicada. "Meu marido até poderia reclamar: estou tão focada no trabalho que minha casa está um caos!"

Mariana Faraco - O Estado de São Paulo

terça-feira, 4 de novembro de 2008

De Emma à Amy

O maior problema de Emma Bovary, a protagonista do romance de Flaubert publicado há 151 anos, não é o marido, Charles, mas o tédio – tédio que ele representa à perfeição. Como um poeta romântico, ou como o próprio Flaubert, Emma queria uma vida mais imprevisível e vibrante, uma existência que não se resumisse ao papel social da esposa-mãe. Seu problema não é ser submissa ou não; é ter uma existência menos rotineira e estereotipada. Amy Winehouse em quase tudo parece ser o oposto de Emma, mas, lendo a biografia de Chas Newkey-Burden recém-lançada (Globo, tradução Helena Londres), lá está ele, o tédio, de novo: “Houve ocasiões em que aprontei na televisão e já apareci bêbada porque estava entediada.”

De Emma a Amy, a vida das mulheres passou pelas maiores transformações; elas, que sempre foram tão mais perspicazes que os homens, avançaram muito. Mas nem tudo mudou. Quando lemos sobre grandes mulheres modernas como Lou Andreas Salomé, Coco Chanel ou Gala, encontramos dilemas muito parecidos sob modos de vida que chocariam Madame Bovary – ou a nossa Capitu. Sim, porque Dom Casmurro é como se fosse a história de Flaubert contada por Charles, o marido que não entende o que sentem as mulheres por baixo de sua dissimulação e obliqüidade. Sua vaidade de filhinho carola o impede de encarar, mais do que a provável traição com Escobar, o mundo interior que ela tem a revelar, o mar de experiências e sensações que aqueles olhos sugerem.

Hoje, ao ver as moças vestidas com roupas poderosas e óculos que cobrem meio rosto e dirigindo carrões SUV como se atravessassem Kosovo no auge da guerra, num primeiro momento Emma e Capitu talvez pensassem que seu triste fim não foi em vão. No segundo momento, perceberiam que o equilíbrio entre praticidade e aventura não é tão sólido assim. Pois o tédio também mudou de forma, ou multiplicou as suas. O que antes era cobrança para ser a estável dona de casa é agora uma miríade de pressões para que seja bem-sucedida, fashion, magra, bem informada, sexy, independente e... a estável dona de casa. Aí estão os comerciais de margarina que não me deixam mentir.

Não foi diferente com mulheres brasileiras modernas, responsáveis por abrir caminhos muito importantes. Quando lemos as memórias de Danuza Leão ou a biografia de Leila Diniz por Joaquim Ferreira dos Santos, que acaba de ser publicada (coleção Perfis Brasileiros, Companhia das Letras), vemos que sua atitude libertária contrasta com seus amores doídos e, mais importante, com a própria insistência em fazer sua vida girar em torno dos homens o tempo todo, até mesmo em prejuízo das carreiras. Veja a vulnerabilidade de outra libertária da contracultura, Eddie Sedgwick, a amiga chique de Warhol (Sienna Miller no filme Factory Girl), tão descolada e drogada quanto Amy.

Há certa ingenuidade nessa angústia; por mais conscientes que as mulheres sejam de como eles podem ser bobos (e de como elas mesmas podem ser chatas), continuam a se projetar em ideais. A sensação que tenho às vezes é a de que todas – mesmo as que reúnem em boas doses essas supostas qualidades – sonham ser a Angelina Jolie, a princesa que casou com o príncipe Brad Pitt. Rita Hayworth notou que os homens iam dormir com Gilda e acordavam com Rita. Hoje é o caso de dizer que nem mesmo Angelina é uma mulher como Angelina Jolie.

Para dar outro exemplo, Carla Bruni, a charmosíssima cantora e modelo que aos 40 anos se casou com o presidente da França e se tornou um símbolo mundial de elegância e comportamento, diz numa das canções melosas de seu último CD: “Você é meu vício, a teus pés deposito minhas armas.” O mesmo vale para Amy, que diz ser “maternal” com os amigos e escreve excelentes versos como “Você volta para ela/ Eu volto para nós”. Quer saber? Acho isso muito bonito. Desde os trovadores do século 12 os homens cantam seus amores para elas; nada mais justo que elas cantem de volta agora, em vez de cair no ódio feminista aos homens. E pelo menos Bruni não parece o tipo de mulher que, como Amy, fica chorando por seu homem no chão da cozinha. Mas o fato é que, em média, elas ainda querem do marido o fim de todo o tédio.

É a principal e talvez única desvantagem sua em relação aos homens: elas não sabem ser objetivas em tais assuntos. Eles ainda se apaixonam mais rapidamente e elas ainda se desapaixonam mais lentamente. Elas sofrem mais com o desencanto, levando a admirável inquietude feminina a se confundir com a dolorosa insatisfação feminina. E fingem não ter tanto interesse pela beleza masculina na hora de justificar que namorem velhos feios e ricos, mas têm ataque histérico quando encontram um bonitão da TV.

Mesmo com a juventude atual ensaiando relações casuais, em que o sexo não é necessariamente o mesmo que o amor, poucas mulheres cedem aos impulsos como gostariam. Como diz Fabrício Carpinejar nas ótimas crônicas de Canalha (Bertrand Brasil), “a autoridade é secularmente feminina”. Eu acrescento: a liberdade, não. Como sua antiga exigência pelo homem perfeito não é nem pode ser atendida, elas descambam em consumismo e cinismo ou em solidão e caretice, muitas vezes em tudo isso junto. A dificuldade em vencer o tédio sem perder o eixo persiste. Não é homem que está em falta. É leveza.

[Por Daniel Piza]

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Perturbação Hormonal

A TPM e Eles

Estudo feito pelo centro de pesquisas em saúde reprodutiva de Campinas mostra que os homens sofrem com a nossa TPM.

Depois de roubarem nosso direito de mão única de usar cremes e fazer depilação, agora os homens inventaram que também sofrem de TPM. Quer dizer, não é bem isso. Mas quase. Uma pesquisa feita pelo Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas, em São Paulo, mostrou que eles sofrem COM A NOSSA TPM.

A pesquisa foi feita com 527 homens. E 84,43% deles disseram que seu casamento ou namoro é afetado por nosso estado de tensão pré-mestrual. 77% deles acham que a nossa TPM interfere também em nossa vida familiar. E o pior é que não podemos dizer que eles estão errados. Mas imagine cuidar de três crianças com o peito doendo, um início de cólica e raiva do mundo?

Dessa turma de homens entrevistados apenas 7,8% afirmam que ficam sem paciência com as mulheres, enquanto 62,1% acreditam que são compreensivos com os nossos males. Caso de Gustavo Guimarães, do departamento criativo da MTV. Segundo ele, que viveu sempre cercado de amigas, mãe, tias e irmãs, "mulher sempre tem um humor que ocila, é um fato da natureza. Então, se o cabra não estiver preparado para isso é porque não está preparado para mulher". Fazemos dessas nossas palavras.

Nina Lemos, [Revista TPM # 80], Setembro 2008