sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Le Fil d'Ariane
Ariadne ou Ariane é a filha de Minos, rei de Tebas.
Apaixonou-se por Teseu quando este foi mandado a Creta, voluntariamente, como sacrifício ao minotauro que habitava o labirinto construido por Dédalo e tão bem projetado que quem se aventurasse por ele não conseguiria mais sair.
Este amor foi retribuido, e Ariadne deu uma espada para que Teseu enfrentasse o Minotauro e um novelo de linha pra que ele pudesse achar o caminho de volta. Teseu saiu vitorioso, e partiu de volta à sua terra com Ariadne.
No caminho de volta passaram em Naxos onde Teseu abandonou-a adormecida. Ao acordar, vendo-se sozinha, Ariadne se desespera. Vênus, ao perceber seu desespero, se apieda de Ariadne e promete a ela um amante imortal, em lugar do ingrato mortal que tivera.
Naxos era a ilha preferida de Baco, filho de Júpiter e Sêmele, e lá foi deixado depois de ter sido capturado por marinheiros. Encontrando Ariadne em seu desespero, Baco a consola e a toma como esposa.
Dá a ela uma coroa de ouro como presente de casamento, cravejada de pedras preciosas que ele atira ao céu quando Ariadne morre e, conservando sua forma, se tornam estrelas (Corona Borealis) brilhantes entre Hércules ajoelhado e o homem que segura a serpente.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Tendance, la cuisine maison
Ce n’est pas tout. Des repas préparés à la maison, la proportion de ceux nécessitant moins de 15 minutes de préparation a chuté de 3% depuis 2004. Au cours de la même période, la proportion des repas requérant de 16 à 30 minutes de préparation est passée de 3 à 36%.
L’émergence des «gastrosexuels»
Plus qu’une simple conséquence de la crise économique qui force les consommateurs à repenser leurs dépenses, Jordan LeBel, professeur en marketing à l’Université Concordia, voit dans cette tendance un écho de la popularité que connaissent les émissions culinaires.
«On a aussi vu émerger, ces dernières années, les “gastrosexuels” : ces hommes qui ne voient plus la cuisine comme une corvée, mais comme un plaisir et un moyen de séduire la gent féminine», affirme M. LeBel, qui est aussi spécialiste de l’alimentation.
En outre, l’industrie de l’alimentation a mieux réussi à s’adapter au rythme de vie contemporain, croit Diane Chagnon, nutritionniste à l’Université de Sherbrooke : «Les livres de cuisine mettent l’accent sur la simplicité, beaucoup moins sur les repas élaborés pour épater les amis.»
La populaire mijoteuse
Le succès de la mijoteuse est aussi à signaler. Les épiceries comptent maintenant une section d’aliments surgelés qu’il suffit de placer dans son appareil à la maison avant de partir au travail. Plus de 1,5 million de Canadiens mangeraient un repas préparé à la mijoteuse chaque semaine, selon l’étude de NPD Group.
Selon Mme Chagnon, la tendance à la cuisine maison est des plus encourageantes. Les plats cuisinés chez soi sont en général plus sains et plus variés que ceux qu’on achète sur le pouce. Ils sont aussi propices à une meilleure cohésion familiale. «Tous les efforts faits pour éviter que chacun réchauffe son plat surgelé au four micro-ondes et le mange devant la télé constituent un pas dans la bonne direction.»
Métro, Mardi 7 avril 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Meme - 6 coisas aleatórias sobre mim
(Do blog dos Lapins)
"Meme é tudo o que se aprende por cópia a partir de uma outra pessoa. Desde coisas simples, como comer usando talheres, até ações mais complexas , como escrever textos excelentes em blogs. Resumindo ao máximo, alguém faz, você vê, gosta e copia. Outras pessoas vão ver você fazendo, também gostarão e copiarão. Desta maneira, a evolução de um meme é quase sempre viral e exponencial”.
As regras são:
1) Linkar a pessoa que te indicou: Juba&Dea - Les Lapins
2) Escrever as regras do meme em seu blog
3) Contar seis coisas aleatórias sobre você
4) Indicar mais seis pessoas e colocar os links no final do post
5) Deixar a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela
6) Deixar os indicados saberem quando você publicar seu post
1. Eu não tenho carteira de motorista e não sei dirigir, até hoje conto nos dedos(de uma das mãos só) as vezes que o carro realmente me fez falta, sou adepta 100% ao transporte público e as caronas.
2. Eu tenho o PIOR senso de direção que um pessoa pode ter e detesto ser co-piloto e ensinar caminho, nunca mas nunca mesmo confie nas direções que eu passar(vou falar para você virar a direita quando é para esquerda ou falar que um lugar é a 3 quarteirões e é a 15) e se você me conhece seja solidário e não me peça para te ensinar como chegar de carro na minha casa ou qual é o caminho mais curto porque eu vou te ensinar errado e vou me sentir MUITO culpada por causa disso.
3. Eu fui bandeirante durante muitos anos quando era adolescente, tinha o meu uniforme cheio de broches, acampava, hasteava bandeira cantando o hino e tudo.
4. Sou apaixonada por culinária, sou capaz de passar um dia inteiro na cozinha e isso me faz muito bem
5. Eu falo pelos cotovelos, mas falo muito muito mesmo, que nem uma maritaca, nada na vida me faz mais feliz do que uma conversa interessante
6. Sou absolutamente viciada em internet, tenho crise quano fico muito tempo sem acessar, não consigo imaginar a vida sem e não entendo as pessoas que são avessas a ela
Eu indico para a Meme
A Glau do Cahier d'Artiste
A Ana e o Lior do Café Montréal
A Vanessa do Entrelace
O Bruno do Nuvem Preta
A Marina do Locutório
A Patrícia do Les Cariocas
sábado, 7 de fevereiro de 2009
New Hair Cut
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Ilhas Desconhecidas
O amor e a viagem nos fazem descobrir que há algo, em nós, que não conhecíamos até então
QUANDO ERA criança, um senhor canadense, Mr. Evans, foi contratado por meus pais para "treinar" meu inglês. O método de Mr. Evans consistia em narrar grandes eventos da História (com H maiúsculo) como se ele tivesse sido uma testemunha ocular. Conseqüência: há detalhes íntimos de várias cenas famosas que não sei mais se são fatos ou fantasias de Mr. Evans.
Uma fonte de inspiração de Mr. Evans era a expedição de Lewis e Clark, que, entre 1804 e 1806, abriu o caminho do Oeste americano. Segundo Mr. Evans, em 7 de abril de 1805, deixando Fort Mandan para se aventurar no território desconhecido das grandes planícies, Lewis, pensativo, teria dito a George Gibson (o melhor atirador da expedição): "New land, George" (uma nova terra, George).
Nunca pude confirmar a veracidade da dita conversa. Mas essa frase, aparentemente trivial, foi incorporada no meu léxico familiar. A cada vez que, numa viagem de férias, saíamos do país, meu irmão e eu não parávamos de repetir: "New land, George". Ainda hoje, quando chego num lugar desconhecido, penso em Lewis e Gibson.
Mais tarde, meu irmão e eu passamos a usar a mesma expressão quando - numa festa, por exemplo - avistávamos mulheres que despertavam nosso interesse. Um dos dois, invariavelmente, levantava a mão espalmada, como se quisesse proteger os olhos do sol, e dizia: "New land, George".
Na literatura, não é raro que um corpo amado e desejado seja comparado à paisagem de terras incógnitas. John Donne, num de seus mais lindos poemas (do século 17), chamou sua amada de "minha América, minha terra recém-descoberta". De fato, há mesmo uma relação entre o amor e a verdadeira viagem. Vamos ver qual.
De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens.
Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, "O Conto da Ilha Desconhecida" (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: "Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver".
Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. Sem estragar o prazer dos leitores, só direi que, no fim da fábula de Saramago, talvez o protagonista não encontre sua ilha, mas ele encontra uma mulher. A moral da história é incerta, entre duas leituras opostas.
Primeira leitura: quem casa não viaja (a não ser de férias); casar-se é desistir de viajar. É o que pensam, com freqüência, homens e mulheres casados. E é também o que os leva, às vezes, a se separarem. Quando achamos que o outro nos impede de viajar, ou seja, que ele nos priva da aventura de descobrir o que poderia haver de diferente em nós, o casal se torna nosso inimigo. Claro, na maioria dos casos, acusamos o casal de uma inércia que é só nossa.
Exemplo: anos atrás, na França, um amigo se interessava pelas pessoas que desaparecem sem razão aparente e refazem sua vida alhures, sob outro nome, como se tivessem sido vítimas de uma amnésia repentina. Em todos os casos em que meu amigo conseguira entrevistar esses "desaparecidos", os mesmos constatavam que, depois de seu sumiço, em poucos anos, eles tinham reconstruído uma situação de vida parecida com aquela que tinha motivado sua fuga.
Segunda leitura: o protagonista descobre que a mulher ao seu lado é a própria ilha desconhecida que ele procurava e que a verdadeira viagem é o encontro com um outro amado. Faz todo sentido, pois o amor e a viagem, em princípio, têm isto em comum: ambos nos fazem descobrir em nós algo que não estava lá antes.
O outro amado nos transforma. Tanto quanto a chegada numa terra incógnita, ele nos revela algo inesperado em nós.
Por isso, aliás, o viajante e o amante podem esbarrar em problemas análogos: às vezes, ao sermos transformados pela viagem ou pelo amor, não gostamos do que encontramos, não gostamos dos efeitos em nós do amor ou da viagem. Essa é, em geral, a única razão séria para se separar ou para voltar da viagem.
Moral dessa coluna (e talvez da fábula de Saramago): os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar, é preciso ter determinação e coragem.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
2009
Tranquilo
levo a vida tranquilo
não tenho medo do mundo
não vou me preocupar
Tranquilo
levo a vida tranquilo
não tenho medo da morte
não vou me preocupar
que passe por mim a doença
que passe por mim a pobreza
que passe por mim a maldade, a mentira e a falta de pensar
que passe por mim olho grande
que passe por mim a má sorte
que passe por mim a inveja, a discórdia e a ignorância
Tranquilo
Levo a vida tranquilo
Não tenho medo do mundo
Não vou me preocupar
Que me passe
a doença que me passe
a pobreza que me passe
a maldade que me passe
Que me passe
olho grande que me passe
a inveja que me passe
a tristeza da guerra
Tranquilo
levo a vida tão tranquila
não tenho medo do mundo
não tenho medo da morte
não vou me preocupar
domingo, 21 de dezembro de 2008
Penélope Charmosa
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Música de Apego
Música de Apego
domingo, 16 de novembro de 2008
"Aqui é um caldeirão de transformação"
Assim a monja Coen vê o Brasil, com seu olhar de budista. “Para mudar o mundo, basta prestar atenção no outro”, diz
A vontade de transformar o mundo tomou corpo nos anos 60, quando a jovem e rebelde Cláudia Batista de Souza, então repórter do Jornal da Tarde, foi saber como funcionavam as sociedades alternativas. Dali para a frente, ela viveu várias experiências - uma vida boêmia, da qual guarda uma cicatriz na orelha, por conta de um acidente com um Fusquinha. Uma temporada em Londres, onde se envolveu com drogas. Depois, ela namorou, casou e teve uma filha.
Corta a cena. Entra monja Coen, uma mulher de 60 anos, ainda com vontade de transformar o mundo, mas de outra maneira. Ordenada em 1983, no Japão, depois de iniciar seus estudos budistas no Zen Center of Los Angeles, ela fundou a Comunidade Zen Budista, em São Paulo. Foi também a primeira mulher de origem não japonesa a presidir a Federação das Seitas Budistas do Brasil.
Nosso encontro ocorreu no templo onde ela mora, no Pacaembu. E é de lá, ou de qualquer outro lugar, avisa ela, que pode acontecer a transformação que queremos para o planeta. Como? “Basta querer e prestar atenção no outro.” E é justamente por seus projetos para a paz, a justiça e a cura da Terra e dos seres vivos que monja Coen é uma das indicadas para o Prêmio Trip Transformadores, que sai nesta terça-feira.
Como a crise atual aumentou o interesse de executivos pelo templo? Tem havido sim. Temos alguns empresários que freqüentam a comunidade e um deles sugeriu que a gente faça um encontro falando sobre essa visão budista das coisas, de que não é preciso esse excesso de estresse. Se perdermos, perdemos. Por que não? Podemos ganhar depois. Porque tudo é passageiro. Quando temos, nos alegramos por ter. Quando perdemos, podemos nos entristecer, mas nos preparar para ganhar adiante. Tudo na vida é transformação.
O que significa, para a senhora, a vitória de Barack Obama nos Estados Unidos? Celebro com muita alegria, no sentido de que foi uma confiança na democracia. Se pensarmos que há cerca de 50 anos os negros não tinham acesso aos lugares, não podiam sentar nos ônibus e que hoje temos um presidente mestiço... E com uma carinha de brasileiro, que até parece estranho ele falar inglês.
Este momento já seria um processo de transformação? O que está mudando é o que eu chamo de nosso modelo mental. Acredito que o nosso instinto de sobrevivência é maior. Por conta disso, muitos de nós já percebemos que essa é a nossa casa comum e para que possamos sobreviver com saúde temos de cuidar do nosso quintal. Eu vejo uma possibilidade muito grande da transformação para patamares de consciência mais elevados, mais profundos. Uma visão que transcende partidos políticos e sistemas econômicos.
Nós, brasileiros, podemos ser exemplo desse novo tempo? Somos. Aqui é um caldeirão de transformação. Nossa sexualidade mais exacerbada nos levou a uma miscigenação mais fácil. O fato de que eu gero em mim filhos, que são de etnias diferentes, acho uma vantagem. E tem outro aspecto muito interessante, o de não termos tido muitas guerras. Temos violência urbana, sim, mas se a gente pensar na violência urbana relacionada com o que é guerra, somos um povo de paz. A gente vê no mundo um levantamento de pessoas, um pensamento de construção de paz muito grande.
Vale como um alento... É. Se a gente pensar que Hiroshima foi completamente arrasada e hoje é uma cidade belíssima, com jovens descendentes dessa coisa medonha, brilhando em vida! E eu acredito na vida. E está acontecendo uma mudança muito positiva. É que essas coisas que são muito bonitas não são divulgadas. É claro que o fato de um menino pôr uma bomba no corpo e se atirar sobre outras pessoas para matar impressiona tanto que dá manchete de jornal. No entanto, acho positivo a violência ainda nos chocar. Sinal de que a vida se renova incessantemente e de que não somos tão poderosos quanto achamos. Temos uma inteligência e uma capacidade de compreensão um pouco diferenciada dos outros animais.
Estamos a caminho de ter um budismo brasileiro? Ele está surgindo. Nós temos aqui três grupos que cresceram muito, que são a Seicho-no-Ie, a Messiânica e o Perfect Liberty. E essas correntes têm um certo sincretismo religioso entre budismo, xintoísmo - que é uma religião originária do Japão - e o cristianismo.
Acredita que pode haver uma miscigenação com o candomblé ou a umbanda? Tenho esperanças de que possamos manter as tradições. Embora as pessoas em suas casas e em seus corações possam seguir grupos diferentes, acho que cada uma tem uma característica importante, particular e sua. Seria mais interessante que não se misturassem.
Qual é o papel da mulher no budismo? Muito importante. Os primeiros monásticos japoneses foram mulheres. Só depois é que se tornou uma tradição masculina. Durante a 2ª Guerra, quando muitos homens morreram, as monjas, que antes só serviam para cozinhar, lavar roupa e servir o chá, precisaram fazer enterros, celebrar casamentos. Uma situação real criou a mudança. Próximo do que está acontecendo no mundo: nós temos uma transformação importante no papel das mulheres dentro da sociedade.
Pode-se dizer que a senhora é uma feminista? Não sei se sou feminista. Acredito que temos de caminhar juntos, homens e mulheres, mas não somos iguais. Definitivamente, não somos! Em português, plural de homens e mulheres é homens. Desde quando? As mulheres entraram no mercado não porque elas gritaram que queriam trabalhar. Houve uma necessidade social, política e econômica. Estamos vivendo e fazendo essa história lado a lado.
E a família? O conceito de “minha família” é uma coisa retrógrada. A nossa família é a família humana. E quando nós percebemos isso, passamos a ser “cuidadores”. A vida da minha filha, por exemplo, é muito diferente da minha. Ela está vivendo aquilo que pode viver neste momento. Quando mais nova, me questionava muito e me acusava de tê-la abandonado. No nosso caso, uma saudade muito grande faz parte do nosso relacionamento.
Construir em silêncio, é esse o segredo?Sim, caminhar em silêncio. É o bem que a gente faz e que quase ninguém percebe. Porque aquele que não está nos vendo é um ser humano como nós. No momento em que incluirmos aquele que nos exclui há uma transformação. É meio mágico isso. É como disse Mahatma Gandhi: “Se você não é capaz de amar aqueles que aparentemente são os seus inimigos, não vai dar certo.” Não quero convencer o outro de que “só o meu caminho salva”. Entendo quando novos grupos falam isso porque nossos grupos, quando foram novos, há milênios, falaram coisas semelhantes.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Les Québécois travaillent moins
La semaine de 40 heures n’a plus la cote. Fini aussi le traditionnel 9 à 5 à longueur d’année. Les employés québécois veulent des horaires plus souples pour voyager, s’amuser et voir grandir leurs enfants.
«Avant, tu paraissais bien si tu faisais 80 heures, ce n’est plus le cas. C’est le choc des cultures », lance Jean-Claude Gagné, consultant à la Banque de développement du Canada.
Le nombre d’heures travaillées est en baisse constante dans la Belle Province. En 1976, les Québécois bossaient 39 heures par semaine. L’an dernier, ce chiffre a chuté à 35, soit la plus faible moyenne au pays, selon des données de l’Institut de la statistique du Québec. Semaine de quatre ou même trois jours, congés prolongés, travail à domicile : les employés réclament désormais des conditions très avantageuses.
«Les demandes du genre sont de plus en plus grandes. C’est dans l’air», souligne Diane Gabrielle Tremblay, professeure de ressources humaines à la TÉLUQ.
De fait, 28 % des Québécois soufflent davantage grâce à une semaine de boulot moins chargée – entre 29 heures et 36,5 heures hebdomadaires -, selon Statistique Canada. En comparaison, à peine 15 % des Albertains profitent d’un tel privilège.
Flexibilité
Une récente étude de la firme Hewitt et Associés conclut aussi que la flexibilité de l’horaire vient au premier rang des préoccupations des travailleurs au pays.
Les employés issus des générations X et Y seraient-ils fainéants?
«Non, tranche Jean-Claude Gagné. Mais les baby-boomers ont été élevés à la réussite. Ils comprennent mal que les plus jeunes disent : Je fais moins d’heures mais je suis heureux.
«Qualité de vie»
Tout indique que la qualité de vie est désormais aussi importante, sinon plus, que les réalisations professionnelles.
«Quand je n’avais pas d’enfants, je travaillais plus de 60 heures par semaine. Je ne pouvais plus continuer à ce rythme, j’étais beaucoup plus stressée », confie Laure Waridel, 35 ans, qui s’est donnée corps et âme pour fonder l’organisme Équiterre avant de se convertir en travailleuse autonome, diminuant de presque la moitié ses heures d’ouvrage.
«C’est beaucoup plus la norme de voir des gens qui ont des projets personnels et qui ne vivent plus uniquement pour le travail », relate pour sa part Sylvain Vincent, associé directeur pour l’est du Canada chez Ernst & Young.
Phénomène mondial ?
La conciliation grandissante entre le travail, la famille et les loisirs est aussi très en vogue ailleurs dans le monde.
D’après Diane-Gabrielle Tremblay, l’Angleterre, les Pays-Bas et un État d’Australie contraignent les entreprises à accorder la semaine de quatre jours à tous les travailleurs qui en font la demande, en autant que ceux-ci aient un motif valable.
Selon le ministère du Travail, aucun programme du genre n’est dans l’air au Québec.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Chico Buarque é um chato
Tenho certeza que a grande maioria das mulheres brasileiras não concordam com você, Lobão.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Milly Lacombe
Antonio
Ele tem 12 anos, não dá mordidas de seu hambúrguer pra ninguém, detesta que lambam seu sorvete e não foi feito para usar sapatos nem meias. De seu universo particular, meu sobrinho me enche de amor
Enxerguei Antonio pela primeira vez em Los Angeles. Ele tinha 2 anos e chegou com o irmão para passar o verão comigo. Cabelos praticamente brancos e muito lisos, orpinho parrudo, pele dourada, boca carnuda e vermelha, apareceu, entre várias malas, grudado na calça da mãe com a força dos que temem a imensidão do mundo, ele olhou. “Essa é sua tia, Antonio”, anunciou minha irmã. “Dá um beijo nela.”O pequeno Antonio me mediu de cima a baixo e decidiu que eu não mereceria seu beijo. Para deixar a decisão muito clara, apertando a perna de minha irmã com mais intensidade, escondeu o rosto. Antonio nasceu em São Paulo quando eu estava de mudança ara s Estados Unidos, e só fui vê-lo na maternidade. A vida estava corrida, eu estava trocando de casca e de mundos, e não tive tempo para freqüentar meu segundo sobrinho estabelecer com ele a relação de intimidade que construí com o irmão. Por isso, depois de dois anos longe da pátria e vendo Antonio apenas por fotos, notei que simplesmente não o conhecia: naquela manhã ensolarada e quente de Los Angeles éramos perfeitos estranhos. Sobre Antonio, eu sabia apenas o óbvio: que ele tinha 2 anos, mas tamanho de 4. Como continuou crescendo assustadoramente, sempre gerou alguma confusão. “Ele ainda não sabe ler?”, perguntavam. E os pais tinham que responder: “Ele mal fala. Ele tem 3 anos!”. Rapidamente, percebi que Antonio era um universo próprio: comia como se o mundo fosse terminar o dia seguinte, falava uma língua única, interagia com qualquer americano que cruzasse seu caminho sem se preocupar se estava se fazendo entender e, quando havia festivais étnicos no parque em frente a minha casa, passava as tardes dançando no meio de adultos, olhinhos fechados, como se estivesse em transe e deixando claro que tinha vindo para este mundo a passeio. Ainda assim, nossa relação afetiva era capenga: eu estava viciada nele, e ele mal me enxergava. Como havia feito com seu irmão, tentei conquistá-lo com uma bola, ensinar dribles, estabelecer um sistema de comunicação só nosso. Não colou. Antonio não se interessava pela bola e estava mais ligado nas árvores e flores do parque, no hambúrguer sem queijo,“só pão e carninha”, como deixava claro para a atendente mexicana do McDonald’s, ou em conversar com adultos que jamais o entenderiam, mas que, ainda assim, ficavam fascinados com aquele ser humano mínusculo, de cabelos brancos e boca vermelha, que parecia sempre muito feliz e faminto.
Espírito livre
Quando voltei definitivamente para o Brasil, Antonio já tinha 8 anos.Aos poucos, foi me deixando entrar em sua galáxia. Quando dormíamos juntos, me abraçava como se eu fosse um travesseiro – uma forma de se entrelaçar que não deixa espaço para que nos mexamos. Ainda assim, nossa relação não era como a que eu tinha com seu irmão mais velho. Salvo pelas noites que passávamos juntos quando os pais viajavam, havia, entre Antonio e eu, uma estranha distância, talvez alimentada pela enorme intimidade que sempre tive com o irmão. Por mais que tentasse, não conseguia todos os números da senha de Antonio. Ele era, para mim, um enigma. E, de uma forma engraçada, ainda é.
Antonio não divide comida, não dá gole nem mordida. Se alguém enfiar um garfo em seu prato, pára de comer imediatamente. Nunca gostou de meias ou sapatos e, mais de uma vez, esqueceu seus calçados por aí: a primeira coisa que faz ao chegar em qualquer lugar é tirá-los. Cueca ele passou a usar recentemente, depois de um pequeno acidente escolar que jamais será esquecido. O fato é que Antonio não gosta de nada que o prenda. É um espírito livre. Ama teatro, sorvete de creme, macarrão e Malhação. Detesta brigas, brócolis e discussões. Mas, acima de tudo, adora comida japonesa.Aos 12 anos, calça 42 e freqüenta semanalmente um restaurante japonês. Armado de sua inigualável lábia, sempre convence alguém a levá-lo: o pai, a avó, eu ou até mesmo minha namorada. A verdade inconveniente é que a companhia é o de menos: Antonio senta no balcão e passa horas conversando com os sushimen, que começam a servi-lo sem perguntar o que ele quer, porque Antonio come sempre a mesma coisa. Antonio é um boa-vida e deixa a sensação de que está sempre muito ocupado para se interessar por aquilo que não o interessa. Até hoje, todas as tentativas de dar uma sonora bronca nele – seja porque largou o par de tênis no meio da garagem, porque esqueceu a porta da geladeira aberta, porque comeu cinco pedaços do bolo de chocolate – foram frustradas: Antonio debocha, não se leva a sério e acaba colocando a situação em perspectiva: “Isso importa mesmo? Não podemos ir comer um sushi ou tomar um sorvete?”. Outro dia, no balcão do restaurante japonês, enquanto estava muito ocupado entretendo os
sushimen com caretas e cânticos perguntei se ele já havia ficado chateado alguma vez na vida. “Claro que já”, respondeu. “Agora, por exemplo, porque estou com fome e meu sushi não chega.” Falou isso e continuou a cantar. Mas, quando eu já havia me esquecido da pergunta, me puxou para perto e disse baixinho:“Quando a Nononna morreu”.
Com você meu mundo é mais completo
Ontem, jantei na casa de Antonio. Quando ia embora, ele me pediu para ver o jogo do São Paulo com ele na TV. Como Antonio não liga muito para futebol, entendi aquilo como uma declaração de amor e fiquei. Na hora de sair, dei vários beijos nele e fui indo para a porta.Mas ele me chamou de volta. “Fala, Antonio”, disse,
esperando uma de suas piadas ou um pedido para levá-lo ao restaurante japonês – ele pode perfeitamente comer sushis depois do jantar. Mas não era nada disso. “Eu te amo”, foi o que disse Antonio. Ele tem essa desconcertante capacidade para emocionar. Eu te amo mais, Antonio”, respondi. Mas, como é sempre dele a última palavra, já na porta tive tempo de ouvir: “Impossível”. Às vezes me pego pensando em como seria meu mundo sem Antonio. Eu, naturalmente, teria um pouco mais de dinheiro porque não gastaria tanto em comida japonesa.Mas,sem Antonio, eu, sem a menor sombra de dúvida, não daria tantas risadas, não me sentiria tão amada e não seria tão feliz.
Coluna do Meio por Milly Lacombe [Revista TPM - Agosto 2008]
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Ausência
domingo, 28 de setembro de 2008
If You Find Yourself Dating a French Men
Ah! Dating a Frenchman! The dream of every foreign woman, and a few gay men too…
But how make this dream come true?
Do you simply go to the country, you meet the man, and there you go?
It’s not that easy.
See, one big mistake a bunch of people make when dealing with love and relationships is to assume that “oh well, this is a universal feeling, this is what makes us humans, so it’s all the same everywhere”
Wrong.
Everything in our lives is influenced by our cultures. Everything! And especially dating…
And ignoring the dating rules of the country you’re in will cause trouble and failures in your dating attempts (yes, I'm sadly talking from experience here). I say “the country you’re in” and not “the nationality of the person you’re dating” because I believe that at least in the beginning, you cannot assume that a local will know the rules of dating in your country; on the other hand, a local, being a local, usually cannot know the rules of your country, sometimes isn’t even aware that rules are different.
Here I’m assuming that one of the two persons is a local. Things will be different if they’re both foreigners in a third country.
That you know the rules of the country you’re in is very important, just like in any other case, but in dating even more, because as I said early, too many people assume that dating is “natural” and not “cultural”.
That being said, you’re all dying to know the rules of dating in France… Well, here they are!
The rule number one in dating in France is that there are no rules!
Well, that’s not exactly true, but let’s say that there are much fewer rules than in many other countries, especially the US (as usual, in what follows I will mostly compare with American culture).
Actually, the very concept of dating is not as defined in France.
Remember that even if “date” is a French world (meaning: day, month and year), there’s no word in French for “date” meaning “romantic get together”.
Let’s get into details.
First, the “asking out” part:
Asking out in France is not that different I guess.
It’s mostly about saying “Would you like to [insert something about dining, going to a movie or similar activities here]?”
You usually ask this to the girl after you know her a little, having met her at work, school, through common friends, etc.
I say ask the girl, because it's really rare that the woman asks the man out in France. It can happen, but it's extremely rare.
Please note that in France, you rarely meet your future date in a bar or a club… Well, it can happen, but much less than in the US.
A big difference between both countries is the bar scene.
In France, it’s really rare that you talk to strangers in a bar, unless it’s a very lively bar, it's late at night and everybody is very drunk and happy. But early in the night, when people are still quite sober, it’s really rare.
As an (almost) rule of thumb, if a guy talks to you (a girl) in a bar, chances that he’s sketchy are extremely high.
Also note that blind dates are almost inexistent in France.
But also note that all of those things have been changing a lot in recent years because of internet dating that has become extremely popular in France, and especially in Paris.
One other thing one needs to know when asking a French woman out. In France, “no” doesn’t mean “no”. It means “maybe”, “let’s see”, “ask again”, etc. So if a French woman says no when you ask her out (or anything else), it doesn’t mean that she doesn’t want to go out with you, it means she’s playing hard to get, and you’ll have to ask several times (of course, there’s a fine line between “several” and “annoyingly too many”, and this line will depend from one individual to another…)
How is this relevant for an American woman dating a French man?
Simple, if you, the American woman, are saying “no” meaning “no” and you have the French man still insisting, don’t get mad at him. He’s been trained like this by French woman, and he’s just thinking you’re playing hard to get and/or you need convincing.
Same thing goes with “I don’t know” and “maybe”.
I’ve noticed that in an American woman’s mouth “I don’t know” often means “no” and “maybe” often means “yes”.
Usually, in a French woman’s mouth (and consequently in a French man’s ear) “I don’t know” means “I don’t know, I’m not sure, convince me.” And “maybe” means “maybe, I’m not sure, convince me.”
OK, the asking has been done, the date is about to happen.
Remember that dates are not as codified in France, which means that basically anything goes, and what will make it a good or a bad date is whether you had a good time or not, and not whether he or she said or did this or that.
Now, here are a few important points where things are quite different between France and the US:
-Calling: in the US, there are all those strange rules about calling, who’s calling who, when, how much time between two calls, etc, etc. None of these exist in France. And, contrarily to the US, the more the guy calls, the better.
In the US, I've had some first dates going great and everything went to the gutter afterwards because the girl felt I was calling too much, almost harassing her.
Thing is that in France, if a guy calls a girl a lot, it means he cares. If he doesn’t, it means he doesn’t care. Simple.
I remember a few weeks ago, when my French female roommate started seeing this French guy, she was all worried and stressed and pissed because he hadn’t called/emailed/messaged in about 8 hours! For her there was one possible explanation: he didn’t care about her.
Yep, this is how French women are, and as a consequence, this is how French men (that have only dated French women) will behave.
-Kissing: One thing that always disturbed me in the US is how it’s sometimes easy to kiss or to get kissed (I’m talking mouth kissing, or even French kissing here). Sometimes, people, especially when they’re drunk, will kiss for whatever reason. And more important, people that are dating will kiss at the first date and regularly after that, even if they don’t think/feel that they are in a relationship, even if they see other people.
None of this is OK in France.
Well, kissing while wasted is somewhat OK, but might become very embarrassing the following day, depending on who were the people that kissed.
But in a dating situation, kissing on the lips, and especially French kissing, means one and only thing: you wanna be in a relationship with the person.
I’m saying it again: if you kiss somebody on the lips in France, it means that you consider this person as your boyfriend or girlfriend and that you want to be exclusive and in a relationship with them (long or short term doesn't matter here, though)
Kissing and dating other people is not OK anymore.
-Sex: On the other hand, remember (as mentioned in a previous question) that French society and French people are not as fucked up as Americans are when it comes to sex. Even if things are far from perfect, they have a much healthier and more casual approach to sex. And in France no such thing as wondering after how many dates it’s OK to have sex, as “no sex on the first date, that means you’re easy”, etc.
In France, the rule with sex is simple: it can happen anytime after the first kiss… even minutes after it. It’s that first kiss that will trigger the “ok for sex” option in your relationship. Hence the importance of the timing of that kiss regarding to where you want to go and what you want to do with that person.
-Offending: One thing that’s not exactly related to dating, but it can be… That fear that American people have to offend other people is totally misunderstood in France. In France, it’s OK to offend people, or rather, it’s the offended responsibility to be offended or not, not the offender’s one.
So, don’t be afraid to be honest for fear of offending the person. OK, it doesn’t work for everything (even in France, telling your girlfriend she looks fat in that dress is a big no no), but overall, French people are much more open and upfront than Americans. Keep that in mind when you’re in a relationship with a French person, whether it is about what they say or about what you say (or rather what you don’t dare to say).
-Overall Advantages and Disadvantages of the (absence of) rules in French dating:
Well, the main advantage is that things are more “natural”, people follow more what they feel and less what should or shouldn’t be done.
The main disadvantages are that things can be too blurry at times, especially in the pre-dating phase. I can’t tell you how many French girls I never asked out even though I liked them because I was convinced they didn’t care about me and I learned afterwards that the only thing they were waiting was that I ask them out. And on the other hand, how many French girls turned me down when I asked them out when I was convinced they had a crush on me and I didn’t. These kinds of misunderstandings never happened to me in the US.
But I wonder if this is really related to the difference in dating rules in both countries, or in the difference in behavior in girls from both countries?
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Para Francisco
Por muito tempo, também achei que essa era uma brincadeira de mau gosto. Mas de vez em quando, filho, é bom sair um pouquinho de dentro da gente e ver as coisas pelo lado de fora. É até divertido."
Esse post foi escrito pela Cristiana Guerra, ela é publicitária de Belo Horizonte. E mais do que isso ela é mãe e pai de um menino lindo que se chama Francisco. Seu marido faleceu 2 meses antes do filho nascer, para entender a sua dor e para manter viva a memória do marido ela criou o blog Para Francisco, o blog é emocionante, lindo. Fiquei pensando nos texto o dia todo e na dor da mulher e na garra da mãe.
Perturbação Hormonal
Estudo feito pelo centro de pesquisas em saúde reprodutiva de Campinas mostra que os homens sofrem com a nossa TPM.
Depois de roubarem nosso direito de mão única de usar cremes e fazer depilação, agora os homens inventaram que também sofrem de TPM. Quer dizer, não é bem isso. Mas quase. Uma pesquisa feita pelo Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas, em São Paulo, mostrou que eles sofrem COM A NOSSA TPM.
A pesquisa foi feita com 527 homens. E 84,43% deles disseram que seu casamento ou namoro é afetado por nosso estado de tensão pré-mestrual. 77% deles acham que a nossa TPM interfere também em nossa vida familiar. E o pior é que não podemos dizer que eles estão errados. Mas imagine cuidar de três crianças com o peito doendo, um início de cólica e raiva do mundo?
Dessa turma de homens entrevistados apenas 7,8% afirmam que ficam sem paciência com as mulheres, enquanto 62,1% acreditam que são compreensivos com os nossos males. Caso de Gustavo Guimarães, do departamento criativo da MTV. Segundo ele, que viveu sempre cercado de amigas, mãe, tias e irmãs, "mulher sempre tem um humor que ocila, é um fato da natureza. Então, se o cabra não estiver preparado para isso é porque não está preparado para mulher". Fazemos dessas nossas palavras.
Nina Lemos, [Revista TPM # 80], Setembro 2008
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Igualdade social aumenta diferença psicológica entre os sexos
Segundo teoria, traços herdados dos caçadores-coletores afloram a medida que sexos se igualam
John Tierney, The New York Times
Na média, mulheres são mais cooperativas, cuidadosas e emocionalmente receptivas. Homens tendem a ser mais competitivos, assertivos, imprudentes e emocionalmente indiferentes. Diferenças claras aparecem desde o início da infância, e nunca desaparecem.
O que não está claro é a origem dessas diferenças. Psicólogos evolutivos afirmam que esses são traços inatos, herdados de antigos caçadores-coletores. Outra escola de psicólogos diz que as personalidades de ambos os sexos foram moldadas pelas regras tradicionais da sociedade, e que diferenças de personalidade vão encolher na medida em que mulheres passem menos tempo alimentando crianças e mais tempo trabalhando fora de casa.
Para testar essas hipóteses, uma série de equipes de pesquisadores analisou repetidamente testes de personalidade feitos por homens e mulheres em mais de 60 países. Para os psicólogos evolucionistas, a má notícia é que o tamanho da diferença entre os gêneros varia entre culturas. Par a os psicólogos do papel social, a má notícia é que a variação está indo na direção errada. Parece que as diferenças de personalidade entre homens e mulheres são menores em culturas tradicionais, como a Índia ou o Zimbábue, que na Holanda ou nos Estados Unidos. Um marido e uma dona de casa da sociedade patriarcal de Botsuana parecem ser mais parecidos que um casal que trabalhe na Dinamarca ou na França. Quanto mais eles tenham direitos iguais e trabalhos iguais, mais suas personalidades divergem.
Essas descobertas são tão contraintuitivas que alguns pesquisadores argumentaram que aconteceram devido a problemas inter-culturais nos testes de personalidade. No entanto, após analisar novos dados de 40 mil homens e mulheres do mundo todo, David P. Schmitt e seus colegas concluíram que os padrões observados são reais.
Schmitt, psicólogo da Universidade de Bradley e diretor do Projeto Internacional de Descrição Sexual, sugere que por mais que as sociedades acabem com as barreiras externas de diferença entre os sexos, algumas diferenças antigas estão sendo reativadas.
As maiores mudanças constatadas pelos pesquisadores envolvem a personalidade dos homens, e não das mulheres. Homens em sociedades tradicionais e países pobres parecem ser mais cautelosos e ansiosos, menos assertivos e competitivos que homens dos países mais ricos.
Para explicar essas diferenças, Schmitt e seus colegas apontaram as dificuldades da vida em países pobres. Eles lembram que em outras espécies, o estresse ambiental tende a afetar desproporcionalmente os machos, além de mudar características sexuais secundárias (como a plumagem em pássaros). E, eles dizem, há exemplos do estresse mudar características sexuais biológicas em humanos. Por exemplo, a diferença de altura entre homens e mulheres em países pobres não é tão acentuada quanto nos ricos, pois o crescimento dos meninos é afetado por estresses como má nutrição e doenças.
A personalidade é algo mais complicado que a altura, é claro, e Schmitt sugere que seja afetada não somente por estresses físicos como sociais, em sociedades tradicionais. Esses homens tiveram que adaptar suas personalidades a regras, hierarquias e papéis de gênero mais restritivos que aqueles dos países ocidentais.
"A busca da humanidade pelo monoteísmo e pela monopolização do poder e dos recursos na mão de poucos é 'antinatural' de muitas maneiras", disse Schmitt, fazendo alusão a evidências de que caçadores-coletores eram igualitários. "De algumas maneiras, as culturas modernas estão retornando, psicologicamente, às suas raízes como caçadores-coletores", argumenta. "Isso significa alta igualdade sociopolítica entre gêneros, mas com homens e mulheres expondo interesses predispostos em domínios diferentes. Tirando o estresse das sociedades tradicionais, elas poderiam permitir que homens deixassem emergir mais sua personalidade natural."
Alguns críticos da hipótese questionam se as variantes internacionais não têm mais a ver com a maneira como pessoas de culturas diferente interpretam as perguntas do questionário de personalidade. Os críticos gostariam de ver aferições mais diretas de traços de personalidade, e Schmitt também. Mas ele diz que já há um traço reportado - competitividade - com medida de diretas do desempenho de corredores.
Corridas competitivas são um bom caso de estudo porque ofereceram um plano de igualdade para mulheres nas últimas duas décadas nos Estados Unidos: números semelhantes de homens e mulheres competem em escolas e Universidades, segundo a NCAA.
Mas essas mudanças sociais não encolheram as diferenças de gênero entre os corredores analisados por Robert Deaner, da Universidade de Colgate, que classifica corredores como relativamente rápidos se eles se aproximam dos melhores do mundo de seu sexo. Olhando para 40 finalista, Deaner geralmente acha de duas a quatro vezes mais homens relativamente rápidos que mulheres.
Essa grande diferença entre gêneros persistiu por décadas em todos os tipos de corridas e vários outros estudos relataram que homens treinam mais e são mais motivados para a competição, disse Deaner, que conclui que "isso deve ser considerada uma falha genuína para a condição da hipótese sociocultural" de que as diferenças de personalidade vão encolher à medida que as mulheres tiverem papéis semelhantes aos dos homens.
Se ele e Schmitt estiverem certos, então homens e mulheres não devem esperar compreender uns aos outros melhor tão cedo. As coisas podem ficar confusas se as diferenças de personalidade aumentarem na medida em que os sexos se tornam mais iguais. Mas ainda assim, talvez tem sido essa diferença e o mistério que manteve Vênus e Marte por tanto tempo juntos na savana.

